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Mostrando postagens de 2011

Paciência

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Sem que você perceba, momentos decisivos chegam. Não percebe, mas eles sempre mandam aviso prévio, porque tudo que se vive no espaço do tempo faz parte de uma grande preparação, e o próprio instinto muitas vezes nos avisa que chegou a hora de algo se renovar. Às vezes, esses momentos chegam de repente, representam uma diversidade de caminhos entres os quais você desejava não ter que escolher só um. Às vezes, uma cadeia de acontecimentos te leva a eles. Mas é sempre assim. Em um dia, lá estão eles, preparados para marcar um fim e um começo em sua jornada.             Não há promessas de que tudo acontecerá bem. São poucas as garantias que temos de qualquer coisa. A dor certamente virá, com essa a vida ela fez um acordo mais do que firme. Mas a alegria também virá, dependendo de como sua procura por ela se der. Não há muito o que falar na verdade, tudo parece embaraçado, mas no final, quando vem um pouco de calmaria você percebe que valeu a pena todo o árduo trabalho, valeu a pena as lág…

Amor

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Eu não consigo colocar em palavras aquilo que sou. Aquilo que me permite sentir o coração como algo vivo e o sorriso como algo autêntico. Eu não sei o que é isso: amar. Eu sei o que é isso: amor. Amor, eu sou. Amorosamente, me dôo. Não conjugo o verbo, que é para ele não mudar. Porque amor não muda. Ele é sempre, ardoroso, constante. É toda a essência que traz alguma esperança de alegria. Mas eu não sei falar.
            Talvez seja por isso que as estrelas caem do céu. Talvez seja por isso que o céu é tão vasto. Talvez seja por isso que não saibamos onde o oceano encontra o céu nem porque o mundo gira tanto. É tudo amor, esperando para que também naveguemos pelo céu. Esperando para que também sejamos tão vastos. Esperando para que encontremos os limites do horizonte e o ponto que faz o mundo girar. Amor não é ter. Amor é ser. 
            Eu sou amor. Só isso sei dizer. Eu sou amor. Meus olhos assim me fazer ser. Minhas lágrimas assim me fazem ser. Meus pensamentos assim…

Adeus

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Cada batida do coração é um sentimento. Raiva, angústia, alegria, solidão, harmonia, tristeza. Sentimento. Sentimento. Sentimento. Cada palavra que sai pela boca é sentido. Sentido da palavra e sentido no peito. É poder. Palavra. Que som simples e aparentemente inofensivo, como a bela borboleta que pousa sobre a flor e anuncia a chegada da primavera. A bela borboleta que pode também permanecer no inverno.
Cada batida de suas asas é como cada batida do coração. Sentimento. Sente o imenso vazio chegar ao ouvir esta palavra: adeus.
Adeus meus grandes amigos. Obrigada pelo tesouro que me permitiram fazer. Adeus minha adorada família. Obrigada pelos ensinamentos que me fizeram quem sou. Adeus meu amor. Obrigada só por isso: por existir. Não pensem que é só minha boca que diz adeus. Não pense que é tudo assim, superficial como a água rasa. Não é rancor, nem ingratidão, mas sim, necessidade.
Adeus, agora, é cada batida de meu coração. É cada ar que inspiro e expiro. É cada palavra que me deixo …

Esperança

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Esperança é sentir a brisa no monte desvelado. É sorrir sonhos em dias enevoados. É viver o não-vivido quando ele já se foi.
Esperança é ter o mundo mesmo de mãos vazias. É entender o tudo como ele nunca foi um dia. É esperar paciente o amanhã se revelar.
Esperança é ver cada partícula de ar se elevar. Ver o dia carregar para o céu a mesma cor do mar. É saber o não sabido sem nem mesmo refletir.
Esperança é ter sempre o novo como visão de futuro. É ver infinitos no lugar de muros. É intuir que o fim só é fim quando o tempo a todos levar. É fé. É força. É respeito. É tudo que de melhor se carrega no peito. Novamente, é esperança, tal como o sorriso da criança, que olha pro mundo e vê que ele, afinal, não é mal assim para os quem tem os olhos certos para ver. 
Esperança. Nunca morre, para que possamos viver.

Fuga

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Rendição

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Eu me rendo. Assim, de repente e simplesmente, me rendo. Mas não é só mais uma rendição. Não é só mais uma expressão desprovida de qualquer sinceridade. É a mais nova e tão veemente honesta redenção. Grave bem as minhas palavras, porque elas só sairão uma vez e depois correram o mundo, conservando toda força disponível para quebrar tanta discórdia infundada.     Afinal, quem foi que me disse que, ao chegar aqui, tudo já estaria providenciado para minha felicidade? Quem me prometeu que não haveria dor? Que não haveria mentira? Que não haveria abuso? Que não haveria horror? Os sonhos que sonho são apenas isso: sonhos, um habitat imortal, um habitat irreal. A realidade que entorno, essa sim, é meu habitat mortal, meu habitat real. E há realidades tão mais penosas que essa pobre que me acompanha.     Então, batendo os olhos na escuridão que se alastra pelo mundo, eu digo: eu me rendo. Mas não é à escuridão que me rendo: é à verdade. E que verdade maior há que amor? Que a compaixão? Que…

Navalhas

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As palavras violentaram o silêncio. No alento de um dia ensolarado, nenhum dos dois sabia qual a extensão daquilo que falavam, mas certamente sabia que haveria um fim em algum ponto.
As respirações eram falhas. Os olhos caídos e embargados de lágrimas. Os gestos eram ora lentos ora bruscos. E os pensamentos vertiginando envolta de dias que não voltam mais.
Era como uma tempestade há muito prevista, entrando sem pedir licença; entrando como se já fosse de casa. E de fato era. O brilho enfurecido dos olhos eram os relâmpagos, que chegavam antes do estrondo das palavras. Palavras amargas. Palavras acusadoras. Palavras abusadoras.
E cortantes. Cortantes como o ar gelado que faz a pele arrepiar-se até doer como um ferimento. As palavras atravessavam o ar, fazendo-o recuar, ocupando seu espaço, e chegando aos ouvidos que as martelavam até o coração. E elas cortavam. Cortavam. Torturavam. E doíam.
Ambos descobriram a navalha que eram as palavras. E eles as usavam com todo o empenho…

Silêncio

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"Procuro o modo certo de ser
                                         Perco-me em palavras e explicações
                                                 tentando definir o que é ser
                                     Jogo-me no buraco letrado da limitação
                                 Só que tudo muda num instante sem segundos,
                                                             e o qué é
                                 não pode ser sentido na superfície dos ouvidos
                                         Nasci em meio aos sons do mundo
                                               mas o meu lar é o silêncio."

Eu-mesmo

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"Em meus estranhos momentos trascendo a mim mesmo desconheço certos pensamentos e aí me encontro Por fim, quase tarde demais acabo eu sabendo, entendo que a estranheza é a parte escondida de mim é o verdadeiro habitat do eu mesmo."

Destino

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Ela esperava todo dia. Em qualquer momento que o mundo estava calmo o bastante para ser observado, ela simplesmente andava até a varanda e admirava a areia branca - raramente pisada -, o sol dourado ou a lua prateada e o mar calmo que refletia o humor do céu.    Alguns dias, a magia estava lá, ela quase podia sentir que o que ela estava esperando estava à caminho. Mas se ele apareceu, ela não viu.    Ela não sabia como ele era ou como ele gostaria que ela fosse. Ela só tinha uma fantasia e uma esperança desesperada de que aquele que ela não conhecia iria aparecer. E, mesmo não sabendo nada sobre ele, ela já o amava, porque era algo que estava destinado a acontecer desde que o mundo foi criado.    Ela esperou. E pedia a Deus que achasse o esperado. Ia para a cama todas as noites, perguntando-se como ele era e esperando conseguir a resposta em seus sonhos, antes que a realidade lhe mostrasse.    O sol se tornou muito dourado e claro à medida que o clima suavizava; então ficou quente dema…

Incertezas

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"De tantas incertezas que o futuro me guarda
                                 eu sei que a mais dolorosa é de como crescer
                                  sem que percamos a felicidade do que já foi."

Plataforma de abraços

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Em uma plataforma, com braços saudosos de um abraço, esperando ansiosamente pelo trem da chegada - que foi o mesmo da partida.