sexta-feira, 8 de abril de 2011

Destino

 
   Ela esperava todo dia. Em qualquer momento que o mundo estava calmo o bastante para ser observado, ela simplesmente andava até a varanda e admirava a areia branca - raramente pisada -, o sol dourado ou a lua prateada e o mar calmo que refletia o humor do céu.
   Alguns dias, a magia estava lá, ela quase podia sentir que o que ela estava esperando estava à caminho. Mas se ele apareceu, ela não viu.
   Ela não sabia como ele era ou como ele gostaria que ela fosse. Ela só tinha uma fantasia e uma esperança desesperada de que aquele que ela não conhecia iria aparecer. E, mesmo não sabendo nada sobre ele, ela já o amava, porque era algo que estava destinado a acontecer desde que o mundo foi criado.
   Ela esperou. E pedia a Deus que achasse o esperado. Ia para a cama todas as noites, perguntando-se como ele era e esperando conseguir a resposta em seus sonhos, antes que a realidade lhe mostrasse.
   O sol se tornou muito dourado e claro à medida que o clima suavizava; então ficou quente demais à medida que todo mundo descia para a prais em seus biquinis; então o sol ficou opaco, à medida que o calor e o frio começavam a batalhar enquanto as folhas se rendiam ao chão; então o sol foi embora e o mar se tornou carrancudo e escuro.
   E de novo: claro...quente demais...opaco...embora. Claro...quente demais...opaco...embora...
   Quando ela começou a perceber que o mundo não podia ser um conto de fadas, as divagações na varanda começaram a devanecer. Mas ainda, ela caminhava por todos os lugares, perguntando-se se ele havia passado por ela em algum momento.
    Até o dia em que a varanda começou a ficar distante demais do mundo real. Mais uma espiada na praia mágica, e ela foi embora.
    Deixou de perguntar, deixou de procurar, deixou de esperar. Mas não está claro se ela deixou de acreditar.
     O tempo passou, como sempre, algum vezes lento demais, outras vezes rápido demais. Mas ela ainda estava jovem quando pisou na varanda novamente, só para esquecer que o real existia. Só para acreditar que ela ainda podia acreditar em qualquer coisa.
    Mas era um desperdício. Ela havia entendido errado.
    Em algum ponto, ela havia esquecido tudo que um dia tanto procurou. Foi o instante em que ela deixou de procurar. Que destino desalmado.
    Estava para deixar tudo aquilo para trás, quando olhou para o lado, na varanda ao lado da dela. E lá estava ele, apoiado na porta, encarando o sol que ela estivera a ponto de deixar para trás.
    À medida que ela seguiu os olhos dele, a grande bola dourado estava opaca. E, então, ela olhou de volta para o homem. Seus olhos haviam mudado de direção e estava fixos nela.
    Ele era exatamente como ela sempre imaginara, e, ainda assim, nada como isso. Ele era, na verdade, tudo que ela nunca achara que ele poderia ser, mas ainda, tudo que ela amaria ainda mais.A única coisa que ela sempre soube que ele seria era que ele era tudo que ela sempre iria querer.
    E o mesmo pensamento ocorreu a ele. Porque ele nunca imaginou que ela seria como ela era. Porque ele soube que sempre a procurara. Até o dia em que deixou de perguntar, deixou de procurar, deixou de esperar. Mas nunca deixou de acreditar. Porque eles eram algo que estava destinado a existir desde que o mundo foi criado.

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